A psicanálise foi o que me fez ficar na psicologia.
Pra depois eu descobrir que os dois eram coisas bem diferentes.
Psicanálise não é psicologia.
Há pouco tempo, falando sobre minha indecisão na época de escolha na minha própria análise,
me dei conta que foi justamente essa diferença que me encantou e me fez ficar: o que me fazia
querer trocar psicologia pelo jornalismo era meu encanto por histórias, por aquilo que constrói o
fato que vemos, por como as coisas são mais complexas do que parecem. Já quis fazer (e quase
comecei) Relações Internacionais e pensando agora, era algo assim que me interessava também:
como a história dos países influenciavam nas relações hoje. Falando sobre meu interesse, minha
analista pontuou: e na psicanálise não é algo parecido com isso?
Pois é.
Nossa história influencia nossas relações hoje. E não apenas porque você pode ter um trauma, ou
um histórico de comportamentos, como normalmente aponta a psicologia, mas porque há algo
para além disso, como uma lógica que estrutura e rege nossas relações e comportamentos.
Essa lógica se estrutura ao longo de nossa história, é fruto da linguagem, resultado de tudo
aquilo que fomos falados e falamos.
Mas perceba: falamos.
Podemos contar e recontar nossa história, e a cada vez que contamos podemos encontrar uma
nova história.
É essa a beleza da análise: falando, encontrar uma nova história e novas possibilidades, descobrir
que é possível se relacionar com os outros e o mundo de uma maneira saudável – saudável pra
você.
Bianca Oliveira
Psicóloga & Psicanalista Lacaniana
CRP 05/67261